BRASIL, Sul, MARINGA, Mulher, de 26 a 35 anos, Arte e cultura

 

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    Estradas da vida



    FILME - Ontem eu passei por um momento que me lembrou o comecinho do filme da Amelie Poulain. Estava arrumando a minha agenda de telefones, que fica num arquivo no computador, quando vi o nome e telefone de Austregésilo Carrano. Eu deveria ter apagado / deletado, mas não consegui (ao contrário do que ocorre no filme, em uma cena rápida).

    PRESENTES - Por falar em filme, hoje ganhei "Hair" da minha irmã. Apesar de já ter ouvido falar muitas vezes, ainda não assisti esse musical. Programa para o final de semana. Se der tempo. Também ganhei - da minha mãe - um relógio de pulso e um daqueles quadros para colocar fotos. Mania de dar presente antecipado.

    VIAGEM - Hoje fiquei pensando: fui contratada no dia 02/06. Se daqui exatamente um ano eu estiver no O Diário e tirar férias, quero curtir uma festa junina no Nordeste. Sempre quis. (A coisa mais difícil de ser contratada vai ser ficar sem poder viajar). É, então, Ansiedade é o meu sobrenome.

    LEITURA - Há pouco tempo, pedi ao Ramari que me emprestasse o livro Jornalismo Cultural. Não sei porquê, mas eu ainda não havia lido esse. Fiquei me sentindo uma tosca por ainda não ter lido os clássicos, não ter visto os filmes mais importantes, não acompanhar os suplementos literários do Brasil e do mundo. Estou longe ...

    FOBIA - Passo mal quando entro em livrarias e bibliotecas. Fico deprimida. Ali eu percebo o quanto sou ignorante, o quanto ainda me falta. Minha ignorância se agrava quando em contraste com a profissão que eu escolhi seguir. E olha que eu ainda não sou das piores... mas isso não me serve de consolo.

    PAUTA - Se você tem uma sugestão de pauta fria para um caderno cultural maringaense, mande para mim. Não é todo dia que a gente consegue bolar alguma coisa legal.



    Escrito por Rachel Coelho às 22h16
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    Pensa numa pessoa que chegou às 8h30 na redação e saiu de lá quase 19h. Essa sou eu. Sexta-feira é um dia danado, porque fechamos as edições de sábado e domingo e, como somos apenas dois repórteres, ficamos sobrecarregados. O bom é que saí com a sensação de que fiz um trabalho legal.

    No ônibus, aproveitei a longa viagem para dar uma lida na revista Bravo! do mês, com o Wagner Moura na capa. Ela chegou numa época corrida, acabei nem lendo. Eu tinha emprestado para o Ramari, ele me devolveu e só hoje eu trouxe para casa (porque saí do trabalho direto pra casa). Aí estava lendo e achei uma parte que me chamou a atenção, por ser simples e, ao meu ver, ao mesmo tempo genial.

    Leia:

    "E, assim, Transamba - ou seja lá qual for o nome definitivo - vai tomando forma. O único senão é que essa aventura de Caetano não deve sair do Rio de Janeiro. (...) Comenta-se que Caetano estaria cansado das viagens das turnês. Gostaria que agora seus fãs é que viajassem para vê-lo. Como atravessa um período criativo incrível, cercado de boas companhias e prometendo surpresas a cada episódio, só resta informar que o Vivo Rio fica do lado do aeroporto Santos Dumont."

    Talvez soe meio nada a ver para quem não tenha lido a matéria inteira, mas eu achei muito legal encerrar o texto assim.  Nunca me esqueço de um texto da Bravo em que o autor começa falando das cores dos vestidos das atrizes na festa de abertura de uma novela, para falar de Sônia Braga, que estava de vermelho. Também achei demais. Quando eu crescer, quero achar essas sacadas para os meus textos.

    Aliás ...

    Passei por uma fase em que recebi alguns comentários desfavoráveis ao meu jeito de escrever. Teve até um amigo que se disponibilizou para dar uns toques sobre isso, com a melhor das intenções. Fiquei em crise. Rs!

    ***

    No texto de baixo, eu quis dizer que fiz o pedido pela SAÚDE de um amigo. Mesmo que Santo Antonio não seja o mais indicado, eu achei que não precisava pedir um namorado.



    Escrito por Rachel Coelho às 22h02
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    ESTRANGEIRA NO LAR - Hoje estou feliz por ter chegado em casa antes das 22h. Isso está se tornando fato raro, tanto quanto almoçar ou jantar em casa. Deve fazer pelo menos um mês que eu só como fora, pois durante o mês de junho passei todos os finais de semana em Londrina e, de segunda a sexta, tenho chegado sempre muito mais tarde que o esperado e faço as refeições em outros lugares, principalmente no shopping. Sinto-me no dever de acompanhar tudo o que tem rolado na cidade.

    SEMANA - Na segunda-feira eu fui, pela primeira vez, na famosa festa junina do Seu Zico. É uma festa tradicional, que ocorre desde 1982. Foi muito bacana. Estive lá com o fotógrafo Walter Fernandes e as fotos dele estamparam a minha página Vibe sobre o assunto. Encontrei o meu querido Marcelo Bulgarelli e sua esposa Ana, que fazia tempo que eu não via. Fiz o pedido no pau-de-Santo Antonio. Não pedi namorado, pedi pela ajuda de um amigo.

    Na terça-feira eu fui no último dia do Convite à Dança, ver o espetáculo "Sintaxe à vontade", do Grupo Erastos, dirigido por Nara Dutra. Achei muito bacana o trabalho, esse é o grupo que eu mais gosto na cidade, mas fiquei absurdamente incomodada com o comportamento do público (falo mais sobre isso em outro tópico).

    E ontem fui com amigos ver "A bela adormecida", com o Balé de São Petersburgo. Foi muito bonito: ótimos bailarinos (as), figurino e cenário lindos, música boa, mas achei que não precisava durar 3h. Mas, sabe como é ... eu sou muito mais a dança contemporânea. Não sou das mais fãs de balé clássico / de repertório.

    HOJE - Foi um dia chato. Não tive nenhuma pauta para fazer. Não consegui cavar um assunto e nem fazer uma descoberta genial pra amanhã. Pra outro dia, talvez. As pautas factuais ficaram todas com o Massalli. Nem sempre a gente consegue dividir direito. Estou muito cansada hoje, com fome e sono e querendo ficar em casa mesmo. Inferno astral.

    ONTEM - Ontem foi aniversário do meu grande e saudoso amigo André Moreira. Se ele soubesse a saudade que eu tenho dele ... espero que tudo já esteja bem, onde quer que ele esteja.

    VIVOS - E foi aniversário também das queridinhas Michely Cruz e Alyne Pesco, mas eu não tive tempo de ligar. Pretendo fazer isso hoje. Aliás, estou em falta com elas. Michelinha teve bebê e eu nem fui conhecer o menino Santiago. Vida longa e muita saúde pra ele, que teve pressa de vir pra esse mundão doido aqui.

    RESTO DE FILO - Meu festival foi uma loucura. No primeiro final de semana, a organização do evento pagou a minha ida e a minha hospedagem. Voltei segunda de manhã de carona com o Julio Pretto e economizei uma passagem. No outro final de semana, fui de ônibus, fiquei na casa do Anderson Loof  e voltei de carona com um pessoal de Maringá, que fechou um ônibus. No meio da semana, fui de ônibus ver Peter Brook, fiquei na Milena e voltei no outro dia cedo, de ônibus. Por fim, fui de ônibus, fiquei sem teto, porque a Milena não entrou na peça que íamos ver juntas e foi pro Cabaré. Aí dormi na casa da Célia na sexta e no sábado, na casa de um novo amigo. No domingo, voltei de carona com a Lú e o João. Foi bem econômico!!



    Escrito por Rachel Coelho às 18h42
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    FIM - Vez ou outra ainda me pego pensando na Pituxa, a cachorra que ficou conosco quase 15 anos e essa semana se foi. Que triste é isso. Fui procurar uma foto dela para colocar no orkut e havia tão poucas. Aí, como sempre acontece em casos de perda, pensei que poderia ter aproveitado melhor a sua presença em vida.

    VALOR - E fiquei pensando sobre o porquê de nunca darmos o valor que poderíamos dar às coisas que temos e, assim que as perdemos, nos damos conta disso. E quando falo em "coisa", me refiro também às pessoas, animais e objetos.

    FILO - Tenho ido para Londrina nos finais de semana para curtir o Filo. Está ótimo. Assisti peças boas, outras nem tanto. Exemplos de coisas que gostei: "L'Oratorio de Aurelia", "Besouro cordão-d-ouro" (vi pela segunda vez), "Jurujujaja: el desastre continua", "Umbral", "La fin des terres" e "Saudade em terras d'água" (vi pela quarta vez). Também gostei do texto de "O natimorto - um musical silencioso" e achei bonitinho "Bistouri" e "Manologias".

    SAUDADE - Esse espetáculo me comove demais. É uma das coisas mais bonitas que já vi na vida. Não resisti e fui ver novamente, porque sempre temos outra percepção de uma obra quando a revisitamos. A primeira vez que vi esse espetáculo eu quase morri de chorar. Aliás, chorei loucamente no teatro e saí com aquela vontade de continuar chorando. Foi no CCBB do Rio. Um senhor que eu conheci em minhas tardes solitárias disse que eu precisava ver e me comprou o ingresso, que custou R$ 5.

    SEGUNDA - A segunda e a terceira vez que vi foi no Festival Internacional de Belo Horizonte, há dois anos. E, agora, tão perto de casa. Deixei de ver "Fragments", do Peter Brook, para ver Saudades de novo. Claro que amanhã preciso ir a Londrina para ver a última apresentação do Brook, que a galera comentou que é demais.

    VOLTA - A propósito, eu tenho ido meio por conta pro Filo. No primeiro final de semana eu consegui hospedagem no Hotel Crystal, pago pelo evento. Aproveitei ao máximo meus dias de vip. Em compensação, neste final de semana fiquei na casa de um amigo, o que acabou gerando um certo stress na hora de ir embora por que não tinha ninguém por lá para eu deixar a chave.

    CARONA - Foi uma galera de Maringá pro Filo no domingo. Eles fretaram um ônibus e um microônibus. Pedi carona. O problema é que por causa do lance da chave eu fiz com que eles se atrasassem e alguns ficaram bem indignados com isso. Um deles, inclusive, foi super grosseiro comigo. Fiquei com vontade de xingá-lo de todos os nomes, mesmo me sentindo mal por fazer com que eles esperassem. É terrível levar essa vida de pobre. A gente passa por cada situação...

    EDUCAÇÃO - E esse episódio também me lvou a refletir sobre a questão da educação. Eu sempre achei que quem freqüentasse teatro fosse naturalmente gentil e educado. Precisei freqüentar festivais para descobrir que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nossa, como tem gente mal educada por aí...

    FESTIVAIS - E estão saindo as programações dos festivais de São José do Rio Preto e Porto Alegre (que é só em setembro). Nessas horas eu tenho saudade da liberdade de poder viajar... mas o trabalho está muito bacana, apesar da dificuldade de bolar pautas. A gente vai levando, procurando dar total atenção para os eventos bacanas que rolam por aqui.

    BONECOS - Um exemplo é o Festival de Teatro de Bonecos, que teve sua segunda edição entre os dias 8 e 15 de junho. Pelo que eu acompanhei durante a semana, foi um evento legal. Gostei particularmente do espetáculo "O princípio do espanto", da Morpheu Teatro 12 (SP), uma montagem que investiga a relação entre boneco e ator. Achei tocante. É a história de um boneco que parece ter vida própria. Ele descobre os objetos e descobre a si mesmo, numa relação de encantamento com o mundo. E, nessa descoberta, descobre também que atrás de si tem alguém que o manipula. Fofo.



    Escrito por Rachel Coelho às 19h13
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