BRASIL, Sul, MARINGA, Mulher, de 26 a 35 anos, Arte e cultura

 

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    Estradas da vida



    MÚSICA - Tenho ouvido alguns CDs que ganhei durante o Femucic. Fico maravilhada com a qualidade da música brasileira que não está na grande mídia. Tem muita gente por aí com total condição de estar no topo das paradas, mas parece que o povo gosta mesmo é de outras coisas... Aliás, qual é o requisito para fazer sucesso? Tem muita gente boa que não chega ao conhecimento do povo. 

    MADE IN PARAÍBA - O CD do Beto Brito é maravilhoso, tenho ouvido "Imbolê" quase todo dia. Ele é nascido no interior do Piauí, mora em João Pessoa (PB), já lançou três discos e tem músicas em duas coletâneas internacionais. Uma figura querida que me deu um puta estímulo: teve coragem de pegar carona comigo e disse que eu nem dirijo tão mal. Rs!

    AGORA - No momento, o que está tocando é o doce e suave "Atemporal", do paulista Adolar Marin. Este ano, foi a quinta vez que ele veio ao Femucic, mas a primeira que trocamos idéia, fizemos matéria e sáímos juntos, numa galera animada. Bom demais. Hoje andei procurando um pessoal na internet, tipo no Trama Virtual, My Space e afins.

    RÁDIO - Estou cogitando um programa na Rádio Universitária. Falei com o coordenador da rádio e ele curtiu muito a proposta. A idéia é ter o Femucic como gancho, tocando os CDs do festival, além de CDs de músicos que já participaram ao longo dessas 30 edições. Tenho bastante material e acredito que daria muito certo. A idéia ainda está só na cabeça, mas logo vai pro papel e, se tudo der certo, pro ar.

    FESTIVAL - Essa semana frequentei o Festival de Cinema, no Maringá Park Shopping. Apesar de achar as salas desconfortáveis, vi filmes bacanas: "O garoto cósmico", "A Via Láctea", "O cão sem dono", "Helena Meirelles", "O côco, a roda, o pneu e o farol", "Olhar estrangeiro", "O sal da terra" e alguns poucos curtas. Pro ano que vem, o organizador Pery de Canti promete novidades.

    E VEM AÍ - O Festival de Teatro de Bonecos, de 8 a 15 de junho, promovido pelos resistentes Danilo Furlan, Rô Fagundes e Sandro Maranho. Segunda faremos matéria e eu terei mais informações. Por enquanto, estou confiando na competência e na boa vontade deles. Só sei que a abertura vai ficar por conta da Cia. Gente Falante (RS), com "Circo Minimal", que esteve no Filo do ano passado. É um espetáculo feito para sete pessoas de cada vez e dura apenas quatro minutos, numa lona que será montada em plena praça da Catedral. Aguardem!



    Escrito por Rachel Coelho às 18h39
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    MORTE - Essa semana faleceu Austregésilo Carrano. Ele escreveu "Canto dos Malditos", o livro auto-biográfico que inspirou "Bicho de sete cabeças", filme dirigido pela Laís Bodanzky. Protagonizado por Rodrigo Santoro, que provou que vai além do rostinho bonito, o filme me comove muito e é um dos meus favoritos entre as produções nacionais.

    TRISTEZA - Lembro de ter visto o filme duas vezes em eventos promovidos pelo curso de Psicologia em Maringá. Nas duas ocasiões, Carrano foi convidado para comandar um debate sobre sua luta contra o sistema manicomial. Quando eu imaginava que todo aquele sofrimento visto na tela era real e tinha sido vivido por alguém que estava tão perto de mim, chorava ainda mais. Nunca deixo de me emocionar ao ver essa obra.

    ENCONTRO - E em um desses eventos conheci Carrano, um cara muito gente-fina. Trocamos telefone e eu cheguei a procurá-lo em uma ida a Curitiba, onde ele morava, com a mãe. Chegamos a sair juntos para tomar uma cerveja no Parque Barigui, acho que há uns dois anos. Na época, ele me falou sobre seus problemas com a venda dos livros, que são proibidos até hoje. A eterna briga com a justiça, creio, agora acabou. Não é qualquer um que topa encarar adversários tão perigosos.

    E EU - Não tenho o livro. Lamento profundamente saber que o cara que superou preconceitos, hospícios e choques elétricos foi levado rapidamente por um câncer no fígado. Taí uma doença que me intriga.

    MILAGRE - Uma amiga da minha mãe, a Zezé, uma pessoa querídissima, teve câncer. Lembro de ver minha mãe arrasada ao saber que o estado da amiga era gravíssimo. Ela chegou a retirar partes de órgãos comprometidos. Se morresse, Zezé deixaria duas filhas adotadas sozinhas no mundo. As meninas estavam em desespero. Minha mãe fez uma promessa, que cumpriu recentemente nas romarias de Corpus Christy, lá  na cidade de Lunardelli. E viva a Zezé, uma heroína, guerreira, que merece viver!

    ENFIM - Depois de dois anos de contato, eis que O Diário resolveu me contratar. Com a saída de dois repórteres, eu acabei entrando para o caderno cultural, enquanto Thiago Ramari passou para o primeiro caderno. Estou muito feliz por, finalmente, estrear a minha carteira de trabalho. Até então, eu só tive trabalhos informais.

    HISTÓRIA - Entrei no O Diário em 2006 para cobrir o Femucic. Logo em seguida, fui cobrir o Filo e já voltei de Londrina como jornalista do programa de incentivo à leitura O Diário na Escola, que publicava uma página semanal. Durante o tempo que se seguiu, cheguei a fazer dois testes, trabalhar de graça e cobrir festivais, como o de Londrina, São José do Rio Preto, Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro, além de outros eventos especiais em Maringá ou fora (como o Cirque du Soleil e a temporada do Teatro Oficina em Quixeramobim/CE e Canudos/BA). Foram muitos momentos bons e marcantes, mas eu estava precisando de um emprego fixo e com salário maior.

    LADO RUIM - Tudo na vida tem esses dois lados. Agora perco a liberdade de viajar e cobrir festivais. Acho que nem no Filo eu vou este ano, apesar da proximidade, do aniversário de 40 anos de resistência, da importância do evento e de um possível convite. Uma pena. Queria muito ir e a programação me parece ótima. Vou ver se consigo ir pelo menos nos finais de semana. O evento rola de 4 a 22 de junho.

    PRÊMIO - E meu querido amigo Thiago Ramari acaba de ganhar o 2º lugar no Prêmio Sangue Novo, com seu TCC sobre o Caso Barão, que estou lendo calmamente. Ele merece! Fiquei muito feliz, pois sei que ele está feliz e que um prêmio sempre é bom, né? Desejo que, na sua volta, o caderno de Cidades não o torture demais.

    DESAFIO - Difícil é bolar pautas que fujam de um jornalismo de agenda, numa cidade que não oferece tantas atividades assim. Aceito sugestões!

     



    Escrito por Rachel Coelho às 18h13
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    EVENTO – Fui convidada para acompanhar a 3ª Mostra de Dança Contemporânea em Umuarama. Fiquei lá nos primeiros dias do evento, de 16 a 18 de maio. Gostei muito do que vi: equipe de produção enxuta, mas competente. Apesar do baixo orçamento, a mostra é bem realizada e gostei dos espetáculos que assisti.


    ESPETÁCULOS – O primeiro foi “Contemporânea Brasilidade”, da Cia. Khoros (RJ); depois vi “Dream – se sonhando o corpo fosse”, de Elenita Queiroz (Campinas / SP) e, por fim, “Pouco acima”, da Cia. Suspensa (MG). Este último deu uma provocada na platéia, pela inovação que o grupo propõe: movimentar-se em cadeiras suspensas a três metros de altura. Legal.


    MAIO – Neste mês eu nem me sinto moradora de Maringá. Tem tanta coisa para fazer que dá para ficar confuso. O Femucic coincidiu com os primeiros dias do Festival de Cinema, acabei perdendo o coquetel de abertura com os homenageados Cacá Diegues e Letícia Sabatella. Foi a primeira vez que fui convidada.


    FEMUCIC – Perdi o coquetel por que escolhi o que era mais importante para mim: o Festival de Música Cidade Canção (Femucic) que considero o melhor evento que acontece em Maringá. Os organizadores souberam fazer com que o festival criasse sua própria identidade, ao contrário de promotores de outros eventos, que querem dar passo maior que a perna.


    COLEGAS – O festival foi, praticamente, um reencontro de amigos queridos. Muita gente que veio este ano já esteve aqui em edições anteriores, como João Correia, João de Lima, Adeildo Vieira, Vavá Ribeiro, Adolar Marin, Geraldo Junior, Roberto Bach, Alex Duarte, Guilherme Costa, Joãozinho Gomes. Fora aqueles que já vieram, mas com quem eu não tive muito contato, como Beto Santos, Claudio Farias, Willian Nazário, Sirlei Leonardo e outros.


    MOMENTOS – O Femucic teve uma edição maravilhosa. Pra mim, foi bem melhor do que a anterior, que ficou no ritmo lento. Dessa vez teve mais diversidade de estilos musicais, inclusive hip hop e heavy metal, que eu vejo pouco no palco do festival. Achei incrível essa falta de preconceitos. Resta ver o que vai entrar no CD e no DVD. Fui todas as noites e me diverti muito.


    MENOS – Mas confesso que na primeira noite saí em crise, pois meu livro não estava na exposição comemorativa dos 30 anos. Além disso, tive um dia cansativo: corri atrás de alguns músicos com quem eu queria falar, tinha uma página inteira disponível e acabou não dando tempo de soltar matéria. Fiquei chateada, mas depois deu tudo certo.


    DEFESA – Eu defendi no meu livrinho – que foi meu trabalho de conclusão do curso de jornalismo, lançado em 2003, quando o festival completou 25 anos – que o Femucic deveria ter mais cobertura por parte da imprensa, sobretudo mostrando mais sobre a história e a carreira dos artistas que passam por aqui, quase sempre ótimos. Foi o que eu tentei fazer este ano, embora não tenha ficado totalmente satisfeita com o resultado.


    PERFECCIONISTA – Eu sou muito auto-crítica. Nem para o livro eu consigo olhar mais. Hoje faria muitas coisas diferentes e tenho pensado em continuar registrando essa história, mesmo que não role uma publicação em breve. Sou perfeccionista em tudo que eu faço, por isso parece que nada está bom.


    DIREÇÃO – Resolvi pegar o carro durante o Femucic para dar umas voltas com a galera. Nossa senhora, como eu dirijo mal! Ainda sou muito insegura, mas estou melhorando. Agora preciso pegar mais o carro, pra ver se a prática ajuda a tirar o medo e a barbeiragem. Quase bati num carro importado em plena Avenida Tiradentes.


    BALADA – Maringá me envergonha às vezes. Saí várias vezes com os músicos do Femucic em busca de um lugar em que pudéssemos beber e fazer um som. Foi difícil: ou é boate, ou é bar onde não pode tocar, ou o lugar fecha cedo demais ou já tinha alguma dupla sertaneja se apresentando. Rolou um agito legal no MPB na quinta, pois duas bandas do Femucic tocaram lá e rolou uma canja. Depois, na sexta, uma parte dos músicos tocou na praça mesmo. E sábado, foi o Santo Bar quem nos acolheu por um tempo e depois nos expulsou.



    Escrito por Rachel Coelho às 15h40
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