BRASIL, Sul, MARINGA, Mulher, de 26 a 35 anos, Arte e cultura

 

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    Estradas da vida



    O pagamento pelas reportagens

    Andei fazendo umas matérias bacanas ultimamente. Nem todas foram publicadas. Sai amanhã na Vibe uma matéria sobre o pôquer, que está sendo cada vez mais praticado em Maringá, inclusive com campeonatos.  O detalhe é que eu nem tenho idéia do que seja. Ou melhor: conversei com vários meninos que jogam e, confesso, acho que jamais aprenderia a jogar (mas deu para ter uma noção). Parece muito complicado para mim. Rs!

    Domingo sai uma reportagem sobre um projeto super interessante em Mandaguari. É a Comunidade Social Cristã Beneficente, mantida pelo médico Osvaldo Alves, de 73 anos. Na casa dele, crianças e jovens recebem aulas de pintura em tecido, crochê e artesanato. Ele construiu um barracão para aulas de teatro e projeções de cinema, há um laboratório à espera de um professor voluntário de fotografia e ainda rolam oficinas de literatura, além de futebol, volei e karatê. Estivemos lá e foi uma tarde muito agradável, com direito à café. Gostei do projeto e espero que só cresça e mude a vida de muita gente, como parece já estar acontecendo.

    Uma coisa legal é que várias matérias que eu tenho feito estão tendo alguma repercussão. Pessoas me ligam ou mandam e-mail com elogios ou comentários. Alguns ate foram publicados (elogio só um). Sem dúvida, a campeã de repercussão até agora foi a Vibe sobre Escotismo. Muita gente ligou pedindo o contato dos grupos escoteiros. A matéria sobre os índios também ficou legal. A Darcy, indicada ao Prêmio Nacional de Direitos Humanos, diz que foi a melhor reportagem que já fizeram sobre a Assindi. Não tem como não ficar feliz, porque eu acho esse o meu maior pagamento (mas dinheiro também é bom, viu??)

    Em uma das matérias, sobre feiras, conheci uma cega que toca pandeiro. Depois de muito bater papo, ao me despedir, ela me disse: "Gostei da tua aparência". Aí eu perguntei: "como?"

    Ela disse: "Eu não te vejo por fora, mas por dentro eu já te vi faz tempo".  :)

    Quem pirou nessa história foi o Walther Fernandes. Ah! E eu comi tapioca pela primeira vez... foi nessa feira atrás do teatro, numa terça, ao lado de Walther e Vanilso. Era de doce de leite. Achei boa, mas um pouco enjoativa.

    Tem gente que eu gosto muito naquele jornal. Ivan, Walther, Douglas, Rafa, Ricardo Lopes, Arali, Massalli, Jary, Fonta, Daibert, Geordano ... pô, não dá pra citar todo mundo... rs!



    Escrito por Rachel Coelho às 22h27
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    Eu no blog do Bulga

    Tenho trabalhado muito ultimamente. A vida está uma correria e eu, sempre que estou em casa, tô cansada. O pior de tudo é que eu gosto de me sentir assim. Me sinto viva, me sinto útil. É bom trabalhar. Eu apenas gostaria que fosse numa situação mais confortável. A qualquer momento eu posso estar na rua da amargura. Se é que já não estou, de alguma forma. Aliás, me disseram hoje que eu não vou mais fazer a página do Diário na Escola. Sinto um pouco de alívio e, ao mesmo tempo, um pouco de medo do futuro. Vamos ver.

    Eu tinha deixado guardado para postar aqui mas não deu tempo. É um outro post do Bulga (sempre visito o blog dele), anterior àquele da torcida por mim. Foi bem na época em que eu comecei o meu teste. Olha aí:

    RAMARI
    Leio uma matéria de Thiago Ramari no Diário, sobre uma professora que aluga livros.

    PROMESSA
    Ramari era um nome para ocupar a vaga deixada por Elton Hubner na Vibe, mas naquela época ele ainda não havia se formado.

    CONCLUSÃO
    O texto do Ramari é leve e flui bem.

    FIM
    E a Coelho só será lembrada na Páscoa?

     

    E depois, leio um post comentando matérias que eu publiquei recentemente:

     

    PRÊMIO
    Leio em O Diário que no dia 18 de abril, será entregue em Vitória (ES), o Prêmio Nacional de Direitos Humanos.

    QUEM
    Entre as 29 indicações, duas são maringaenses: a Escola Mílton Santos, na categoria Ações e Experiências, e Darcy Dias de Souza, na categoria Personalidade.

    DARCY
    Admiro a Darcy. Só ela merecia um prêmio pelo que já fez pelas minorias sociais. Criou o movimento Vez e Voz da Mulher e preside a Associação Indigenista de Maringá (Assindi).

    ATENÇÃO
    Olha aí pauteiros interestrelares: Darcy foi e ainda é fonte para muitas pautas.

    MORAL
    E a matéria da Rachel está redondinha.

    CLAREZA
    A matéria, não ela.

    LIVROS
    A mesma Rachel escreve sobre os furtos na biblioteca municipal Biblioteca Municipal Bento Munhoz da Rocha Neto.

    SPC
    Lá existe uma “lista negra” com mais de 300 nomes de larápios literários.

    SEBO
    Certa vez, mais de 30 livros da Biblioteca foram encontrados em um sebo. Foram exigidos de volta.

    ASSUMO
    Eu já comprei livro de biblioteca em sebo. Foi em Petrópolis e a biblioteca era de Vitória, Espírito Santo.

    COLEÇÃO
    O que mais gosto de colecionar nos livros de sebos são dedicatórias. O Antonio Roberto de Paula também viaja nessas coisas.

    RARIDADES
    Neste exato momento estou segurando em minhas mãos cinco pequenos livros que pertenceram a uma mulher apaixonada em 1929.

    O NOME
    Num deles, ela assina Íris Mello, Rio-3-11-1930.

    RECADO
    Íris, os seus “Mais bellos poemas de amor” descansam em paz no meu modesto acervo.

    GÓTICOS
    Ainda na matéria da Rachel, há um grupo de góticos, freqüentadores noturnos de cemitérios, que queriam roubar ‘O livro dos vampiros - enciclopédia dos mortos vivos’.

    ESTRANHO...
    Assumo que sou meio gótico. Tenho uma coleção de filmes de horror da produtora inglesa Hammer, visito cemitério [de dia] em cidades históricas, torço pro Botafogo e tenho amigos estranhos.

    MAS...
    Sou um gótico ensolarado. Adoro bossa nova.



    Escrito por Rachel Coelho às 22h17
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    Resumão

    Relendo esses posts mal acabados sobre a viagem por Minas, me deu muita vontade de voltar. Da primeira viagem, talvez o único lugar para onde eu voltaria seria BH e Congonhas. Talvez Diamantina também, para ver as famosas serestas. Adoro o Estado de Minas. Acho que é um dos meus favoritos e tem muitos outros lugares que eu gostaria de conhecer, como Milho Verde, Serro, Bichinho, Lavras, entre outras que não me lembro agora.

    E só pra resumir um pouco...

    Diamantina: cidade histórica muito legal, mas que precisa de saúde para andar por suas subidas e descidas. O forte é o carnaval. Dá muito carioca, mineiro e brasiliense. Pegação geral, muito Créu, chuva e Berola do Gilmar. Ano que vem, preciso falar com esse tal de Gilmar e descobrir o que vai na Berola. Ah! Também é preciso provar o pão de queijo da Padaria Central.

    Ouro Preto: senti uma energia diferente nessa cidade. O guia me falou que Chico Xavier nunca conseguiu entrar lá. Também pudera: milhares de pessoas morreram na época da escravidão. A cidade é cercada por montanhas e, às vezes, dá uma sensação de estar preso. O forte são as repúblicas, que também hospedam mais barato (e fazem as festas de carnaval).

    Congonhas: parece duas. Uma parte (a baixa) é feia e lembra um pouco as favelas do Rio. Outra (a alta) é linda e até o ar parece mais puro. A obra do Aleijadinho é demais. Concordo com Ariano Suassuna: todo brasileiro deveria conhecer. A igreja não cobra pra entrar, coisa rara em Minas. A pousada do Luisinho é super indicada pra ficar. Conheçam o Flávio, ele é muito gente fina!

    Mariana: um dia é suficiente para conhecer. É pequena e simpática, mas não tem muitos atrativos. Um dos que gostei foi a igreja dos Clérigos, lá no alto. Dá pra ver toda a cidade. Mariana é quase um bairro de Ouro Preto. Lá visitei também o Museu Alphonsus de Guimarães, aquele poeta que escreveu "Ismália". Fica na casa em que ele morou.

    Tiradentes: vá com grana para comer e comprar artesanato. Ou então vá sem grana, para não ficar gastando e ter tempo de conhecer a cidade. Vá. Rolam eventos super bacanas, como o festival de cinema e o de gastronomia, que movimentam a cidade. Aí os preços sobem mais ainda. Mas é uma cidade encantadora. Você se sente num filme...

    São João Del Rei: o programa que mais fiz lá foi tomar sorvete. Não era muito caro e tinha sabores legais, como Mel. Nunca tinha tomado sorvete de mel. É bom. Tem muitas pontes na cidade. E um coreto. E o Memorial Tancredo Neves, museus, igrejas, ruas com dois nomes, etc. Acho que foi a quaresma que deixou a cidade muito parada mesmo.



    Escrito por Rachel Coelho às 15h25
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    Vida de freela é foda

    Então né ...

    Fui para várias cidades da região, onde o jornal fechou parcerias para o programa O Diário na Escola. Entre elas estão: Santa Fé, Cruzeiro do Sul, Paranacity, Munhoz de Mello, Ângulo, Presidente Castelo Branco, Itambé, Astorga, São Carlos do Ivaí e São Jorge do Ivaí.  Foram viagens até divertidas, com direito a parada para lanches, bate-papo e também muita espera, gente chata, stress e até carro atolado.

    Depois, durante o meu teste, conheci Moacir Franco e sua esposa; entrevistei José de Abreu por telefone (e, no mesmo dia, não consegui falar com Paulinho Mixaria), entrevistei o Dema, a Flor, fiz Vibe, trabalhei pra caramba, recebi críticas e elogios, passei raiva, chorei, ri. Coisas estranhas aconteceram com pessoas alegres da redação. Enfim..

    Mas eu gosto do que eu faço. Adoro a correria, tenho tesão em escrever sobre cultura, mesmo em Maringá. Fuço pautas, acho que escrevo bem (gostaria de escrever melhor), sou dedicada, penso 24 horas no trabalho (pq não é fácil achar pauta numa cidade em que acontece tão pouca coisa) e, às vezes, fico triste por não me sentir valorizada. Aí do nada aparece algo assim:

    OFERTA
    Que tal uma jovem repórter formada em história que vive a cultura, viaja para os recantos mais distantes em busca da vivencia cultural?

    PENSE BEM
    Que tal uma jornalista autora de um livro [o único] sobre o Festival de Musica da Cidade Canção [Femucic] e que não apenas cobre eventos em diversas capitais, mas como também faz uma ponte segura com os artistas e produtores culturais?

    ENTENDA
    Numa sociedade cada vez mais pobre e sem renovação de idéias, encontrar uma profissional assim, ainda jovem, é uma preciosidade.

    ENFIM...
    Rachel, torço por você.

    Esse é o blog do Marcelo Bulgareli, o Bulga, meu primeiro editor no O Diário. Fico feliz e lisonjeada e faltam palavras para agradecer. Coisas como essa valem muito mais do que um NÃO na cara (mais um entre tantos que passaram e tantos que virão). E é isso. Bola pra frente.

    Carpe Diem!



    Escrito por Rachel Coelho às 23h19
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    Festival de Curitiba II

    Muito legal o povo da Cooperativa Baiana de Teatro. Fomos ver a peça "Avental todo sujo de ovo" por causa deles e fomos surpreendidas com o que vimos. A imprensa geral foi ver e gostou. Fiquei feliz por eles, que batalharam muito para estar lá. Dos cinco grupos baianos que se inscreveram, apenas dois foram. Um deles na Mostra Oficial (com tudo pago).

    As peças que mais gostei foram: "As noivas de Nelson", "Avental todo sujo de ovo", "Dias felizes: suíte", "Mãe coragem e seus filhos", "Alguns leões falam" e "Não assim tão longe". Esta última fui assistir antes de pegar o ônibus de volta pra Maringá, no domingo à noite. Levei a mala para o teatro e deixei no cantinho. Achei maravilhosa. Antes dela, eu tentei assistir a estréia de "Vestido de Noiva", dos Satyros. Meu ingresso era para a peça do Gerald Thomas, mas como era muito longe e eu ia sair direto pra rodoviária, preferi a peça no Guairinha, ao lado de onde eu estava hospedada (no apartamento dos amigos Fernando e Paulinho). Doei meu ingresso pra um colega e fiquei lá na porta tentando descolar o meu. Quando quase todo mundo já tinha entrado, uma das meninas da assessoria de imprensa chegou e tinha um sobrando.

    De sem ingresso, eu passei a ser a vizinha de poltrona do galã global Sérgio Marone, que esteve em cartaz com "Farsa". Só que como alegria de pobre dura pouco, deu pau no projetor usado na peça e a mesma foi cancelada ... :) O mais bizarro é que a gente chegou a bater um papo. Enquanto os caras tentavam arrumar o projetor, entramos no assunto da peça. Ele perguntou o que eu fazia e, ingenuamente, falei a verdade. Foi o que bastou para ele dar uma gargalhada e encerrar o assunto. Definitivamente, artistas não confiam em jornalistas.



    Escrito por Rachel Coelho às 22h46
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    Festival de Curitiba

    E cá estou eu, trabalhando.

    Depois das férias por Minas/Rio, rolou uma pequena viagem de cinco dias no feriado da Páscoa. Fui para Curitiba, no Festival de Teatro. Foi muito bom, pena que precisei voltar logo para começar um teste no O Diário, na tentativa de ser efetivada no caderno D+ (depois de dois anos no jornal, com O Diário na Escola e eventuais colaborações no caderno).

    Saí de Maringá na terça, 18/3. Chegando lá 6h30 da manhã, peguei um táxi pra casa dos meninos (ficou em R$ 8). Dormi até às 9h e fui para uma sessão de coletivas no Memorial. Fiz meu credenciamento, reencontrei Fábio (jornalista de Floripa que conheci no festival do ano passado, mas que este ano não estava trabalhando) e reencontrei também colegas queridos, desses que só encontro em festivais. Rodolfo Lima, Miguel Anunciação, Daniel Schenker, entre outros. Conheci os meninos da Revista Bacante (a Leca eu já havia conhecido em Rio Preto, mas quase não nos falamos lá. Em Ctba ficamos bastante tempo juntas). Conheci o Hélio Ponciano (Bravo!), o Miguel Arcanjo (Folha Online), a Angélica Paulo (JB Online), a Ceci (Bahia), Astier Basílio (Jornal da Paraíba), a galera do Quiprocó (MG), etc.

    Revi meu irmão e meus sobrinhos lindos. E, nos quatro dias de festival, vi 16 peças. Creio que dificilmente supero este ano a marca de peças vistas no ano passado (133, sem contar repetições). Acho que não vou pegar firme nos festivais...

    Segue a lista de peças que vi no FTC deste ano:

    O anjo Malaquias

    Persona Produções (RJ)

    Entre divas e senhoritas

    Teatro de Senhoritas (SP)

    A Fauna

    Vila Verde e Os Satyros

    Volúpia

    Cia. Carona (SC)

    As noivas de Nelson

    Cia. Paulista de Artes

    Aquilo que não se move

    Teatro de Extremos (RJ)

    Diário de uma ladra

    Os Shakespirados (PI)

    Beatles num céu de diamantes

    Charles Moeller e

    Cláudio Botelho (RJ)

    Jesus vem de Hannover

    Cia. Silenciosa (PR)

    Avental todo sujo de ovo

    Cooperativa Baiana – Grupo Bastidores

    Dias felizes: suíte

    Rita Clemente (MG)

    Mãe coragem e seus filhos

    Armazém e Louise Cardoso (RJ)

    Alguns leões falam

    Cia. Clara (MG)

    Peter Pan

    Cia. Máscaras (PR)

    Balé de sangue

    Grupo Eu (GO)

    Não assim tão longe

    Insólita Cia. (PR)



    Escrito por Rachel Coelho às 22h29
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    Feliphe.

    No ônibus pro Rio, conheci um menino chamado Feliphe. Ele vinha de Divinópolis e estava deitado na minha poltrona. Fomos conversando durante toda a viagem e foi bem bacana. Acabei indo com ele conhecer Arraial do Cabo (RJ). O lugar é lindíssimo, uma das praias mais legais que eu já conheci. Meu forte não é praia, sequer entrei na água, mas gostei muito de ter ido lá. Passei o sábado todo, mas não visitei nenhum lugar além da praia. O menino morava num lugar muito, muito alto. Uma puta caminhada pra chegar até lá, no morro. Cansei. Comprei passagem para as 3h da manhã pro Rio, pra ficar pelo menos um pouquinho com os meninos.

    Cheguei no Rio e logo cedo fui comprar minha passagem de volta, pois os compromissos do Diário na Escola estavam se acumulando e minha última semana de viagem foi, na verdade, negociada. A Loiva acabou me cobrindo e fazendo algumas matérias que pintaram (porque no começo do ano é época de renovação de parceria com os municípios e todas precisam ser divulgadas).

    Fui surpreendida: não havia mais passagem para Maringá. Tentei comprar para o dia seguinte e, adivinhem, meu cartão de crédito não passou. Fui sacar dinheiro e descobri que estava sem grana para ir embora. Lá vou eu ligar pra casa em desespero e pedir socorro...

    Deixei as malas na rodoviária, só peguei o básico. Acho que eles cobram muito cara no guarda-volumes e fizeram um esquema estranho que eu não entendo direito. Quando eu fui retirar, fiquei questionando tentando entender e o moço que trabalha lá ficou irritado comigo.

    Fui pra casa dos meninos e passei o dia à toa com eles. Para encerrar a temporada de férias, fomos ver a gravação do DVD da Claudia Leite em Copacabana. Foi um inferno: estava muito cheio, choveu, não tinha roupa, não curto as músicas dela, enfim. Gravação de DVD é coisa chata. Rola um puta intervalo entre cada música, às vezes tem que repetir, é um saco. Nem eles que gostam da "gostosa" aguentaram, mas sobrevivemos. Nada poderia ser pior que o show dos Stones em Copa, que eu fui.

    Tentei entrar em contato com o Victor, que é de Niterói (aquele que conheci em Diamantina). Era paixão de carnaval mesmo ... não rolou nos vermos. Por incrível que pareça, a gente se fala por msn e já acho isso uma glória. Rs!

    Aí voltamos pra casa e eu fui embora na segunda-feira durante o dia. Comprei a passagem com dinheiro emprestado do Fabinho. Terça de manhã estava no jornal para cobrir a renovação da parceria com a Viapar, a patrocinadora do programa.



    Escrito por Rachel Coelho às 22h09
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    São João e Tiradentes

    Em São João Del Rey, me hospedei no Hotel Aparecida, em frente à antiga rodoviária. O quarto era minúsculo e o banheiro era coletivo. Tinha uma pia, uma tv, ventilador, cama e mesa. Ou seja: tudo que eu precisava. Descobri que deixei a toalha em Ouro Preto. Lá estava eu, de novo, sem toalha.

    Passei o dia caminhando pela cidade, mas fiquei inibida para fazer fotos. Fui no Museu Regional e na igreja onde está sepultado Tancredo Neves, que é de lá. Estava tendo uma missa de formatura no dia, por isso entrei de graça. Acho uó isso de pagar para entrar em igreja. Paguei em poucas (uma delas em Mariana, mas não acho legal essa idéia. Foi uma das coisas que gostei em Congonhas, uma das igrejas mais lindas que vi não cobrava entrada).

    Não me animei muito com São João. Disseram-me que, nessas cidades mineiras tradicionais, respeita-se muito o período da quaresma. De noite, tive um sono ótimo. Tenho a impressão que o barulhinho do ventilador sempre me ajuda a dormir melhor. No dia seguinte, fiz o passeio de maria-fumaça até Tiradentes, que custa R$ 15. O quarto saiu por R$ 20. A dona do hotel ofereceu para ficar cuidando das minhas malas enquanto eu ia a Tiradentes. Seria ótimo, pq com aquela quantidade de bagagem eu teria muito trabalho. Deixei tudo lá, sem precisar pagar outra diária.

    Peguei o trem às 10h. O passeio é bonito, mas não achei nada fenomenal. Vale a pena se estiver com a grana e, também, para quem nunca fez um passeio de trem. Na estação tem um museu ferroviário que é legalzinho também.  

    Tiradentes é uma coisa surreal. Já tinham me dito que parecia uma cidade cenográfica no Projac. Parece mesmo. É uma cidade pequena, aconchegante, simpática. Sei que não andei por tudo (pelo menos de acordo com o mapa que peguei na central turística, pois faltaram pontos).

    Charretes cobram R$ 40 para fazer um passeio pelos principais pontos. Não topei pq achei muito caro. Sugiro que os charreteiros deixem de decorar as charretes com figuras da Hello Kity, Sooby Doo e meninas super poderosas. Não tem nada a ver com o clima da cidade.

    Estava preocupada com o almoço, pois a cidade é um centro gastronômico e me disseram que comer lá é uma facada. Depois de muito andar, achei um restaurante onde gastei R$ 8 e comi super bem. Chama-se "Calabouço" e, a despeito do nome, tem um ambiente bem agradável, além do bom atendimento. Saí no lucro.

    Lá pelas 15h estava voltando, dessa vez de ônibus, que é mais barato (R$ 2). Chegando em São João, dei uma embaçada básica. Não tinha para onde ir e nem o que fazer. Eu quis ir para São Bernardo do Campo (SP) visitar um amigo, mas não rolou. Então pensei: é sexta e ainda tenho o final de semana. Para embarcar pra Maringá, preciso ir pra BH, cuja passagem custa 30 e poucos reais. Vou gastar com hotel se quiser aproveitar os dias. Por R$ 40 eu vou pro Rio e não pago hotel. Fácil descobrir o que eu decidi, né?

    PS: Tomei banho na rodoviária, custou R$ 1. Difícil foi ficar sem me enxugar e já botar a roupa direto. O moço que ficava do lado de fora cuidando do banheiro masculino (e também do feminino) cuidou das minhas malas. Depois fui comer um lanche - engraçado, veio batata frita em cima do lance. Eu disse 'batata frita' e não batata palha. Nunca tinha visto. Antes disso, eu encontrei um rapaz que havia conhecido na rodoviária de Ouro Branco, voltando de Congonhas. Ele é dono de um negócio que faz fotografias à moda antiga em Tiradentes. Acho que se chama Carlos. Rachamos um táxi clandestino para voltar de Ouro Branco a Ouro Preto e eu passei o maior cagaço. Achei que o cara corria demais e não freava o suficiente nas curvas. Graças a Deus deu tudo certo. Tudo o que eu sempre tinha ouvido falar sobre as estradas de Minas me deixaram com um pouco de medo nas viagens por lá. Indo para Congonhas, por exemplo, vi duas placas. 1ª. Trecho com alto índice de acidentes. 2ª. Você está na rodovia da morte. Precisa dizer mais?



    Escrito por Rachel Coelho às 21h58
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    Flávio.

    Poxa, tô meio sem paciência para terminar o relato dessa viagem, com os detalhes que merecia.

    O fato é que em Congonhas, apesar do pouco tempo, conheci uma pessoa muito especial. Um cara que, com certeza, marcou. Queria poder reencontrá-lo. O nome dele é Flávio e me pagou o jantar. Essa foi apenas uma de suas gentilezas. Depois, me mostrou um pouco da cidade.

    Percebi que os relacionamentos e as paixões são mais intensas quando estamos em viagem. Será que é pq sabemos que a história não vai prosseguir e aproveitamos melhor o momento??

    Enfim. Depois disso, passei quase o dia inteiro em Congonhas, tentando voltar pra Ouro Preto. Tive a capacidade de perder o ônibus em uma das menores rodoviárias por onde já passei. Isso pq eu já estava esperando há duas horas, mais ou menos. Cheguei em Ouro Preto e já não dava tempo de fazer mais nada. Fiquei por lá mesmo.

    No dia seguinte, fui conhecer Mariana. Também foi um passeio legal, que fiz sozinha. Dei volta pelo Centro, visitei o Museu de Arte Sacra, a praça, as igrejas (inclusive aquela que tem a tal caveira pintada por Mestre Athayde e que, por um efeito de ilusão de ótica, parece que te acompanha quando vc anda). Muito bacana.

    Conheci dois guias bacanas por lá. Um deles chamava-se Fábio. Tive a sensação de que boa parte dos guias turísticos em Minas são muito bons. Estudam bastante e sabem o que dizer sobre tudo.

    A cidade é minúscula. Uma igreja bacana é a dos Clérigos, no ponto mais alto da cidade. Foi lá que o outro guia me deu altas explicações (os dois de Mariana não cobraram nada. Ambos disseram que nem tudo se faz por dinheiro). A igreja estava fechada, mas o guia abriu pra mim e me levou até os sinos. Foi massa.

    Depois disso voltei pra "casa" e me preparei para partir. A cada dia parece que chegava um morador novo na república, que estava viajando ou alguém que eu ainda não tinha conhecido. Resolvi sair no outro dia bem cedo, então já acertei as contas com o decano (morador mais velho, o "Contente"). Ficou R$ 40 (ele não cobrou a noite que dormi em Congonhas, logo, ficou R$ 10 por dia).

    Logo cedão, comprei a passagem para São João Del Rei.



    Escrito por Rachel Coelho às 21h47
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