BRASIL, Sul, MARINGA, Mulher, de 26 a 35 anos, Arte e cultura

 

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    Estradas da vida



    Todos somos atores

    Augusto Boal, diretor teatral e criador do Teatro do Oprimido, foi nomeado embaixador mundial do teatro pela Organização das Nações Unidas - Unesco no dia 25 de março. Os outros embaixadores nomeados pela Unesco anteriormente foram Ellen Stewart (La Mamma de Nova York), Arnold Wesker (UK), Wole Soyinka (premio Nobel, Nigéria), Anatoly Vassiliev (Russia), Vigdis Finnbogadottir (Islândia) e Girish Karnad (Índia).
    Na cerimônia do dia 27/3, no Théâtre de la Ville, em Paris, Boal foi homenageado com vídeo e exposição sobre seu trabalho e escreveu um texto que foi traduzido em 45 línguas. Leia abaixo.


    MENSAGEM DE AUGUSTO BOAL PARA O DIA MUNDIAL DO TEATRO

    Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.
    Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!
    Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática - tudo é teatro.
    Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.
    Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.
    Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - "Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida".
    Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.
    Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!
    Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

    Augusto Boal
     


    Escrito por Rachel Coelho às 10h22
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    Notícias do Oficina

    "O Oficinauzynauzona começou ontem os ensaios de Bacantes, de Eurípedes. A peça, do repertório do grupo desde 1996, será realizada por duas vezes no mês de março no Sesc de Araraquara, cidade natal do diretor José Celso. Depois percorrerá o Brasil juntamente com peças montadas mais recentemente, como Vento Forte para Um Papagaio Subir, Taniko e Bandidos.

    Em 2008, marco inicial do Jubileu – aniversário de 50 anos do grupo, o Oficina realizou temporadas apenas em São Paulo. Nesse 2009 o grupo pretende viajar pelo Brasil e pelo mundo com o “Carro Naval de Dionísio”, levando as quatro peças realizadas no ano passado – Taniko de Zenchiku; Vento Forte Para Um Papagaio Subir, primeira peça da história do teatro; Cypriano e Chan-ta-Lan de Luís Antônio Martinez Correa e Analu Prestes; Os Bandidos de Schiller – e mais Bacantes, para ser feita nos grandes teatros como o do Centro Cultural do Povos Indígenas em Manaus e Epidauro na Grécia. A idéia é sair desde São Paulo de navio com elenco, equipamento, e material cênico, subir o país e então realizar a turnê. Para isso o Oficina procura associar-se à marinha brasileira.

    Ontem a iniciação ao rito báquico deu-se pela projeção do DVD de Bacantes que será lançado no dia 04 de março com os outros três – Boca de Ouro de Nelson Rodrigues; Cacilda! de José Celso Martinez Correa e Ham-Let de Shakespeare – do Festival Teatro Oficina.

    As Bacantes reinterpretada no atual momento de fim das ideologias e religiões, surgirá mais indígena, africana, ainda mais ligada à mitologia dos povos primitivos de quem se formou a raça brazyleira. Penteu, antagonista de Dionísio, será também Barack Obama em seu cristianismo evangélico e as bacantes serão índias sulamericanas e mulatas cubanas, a fim de estraçalhar com a ideologia colonialista no poderio financista mundial."

    Texto publicado em 11/02/2009 no site www.teatroficina.com.br

    ___________

     

    Esse jeito louco do Oficina me agrada. Eu gostaria de ver esses espetáculos no Centro Cultural do Povos Indígenas em Manau, por exemplo. Aliás, tenho pensado em elaborar uma publicação com imagens e textos sobre a experiência de ver "Os Sertões" em Quixeramobim (CE) e Canudos (BA) no final de 2007. O que vocês acham?



    Escrito por Rachel Coelho às 00h08
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    De volta.

     

    O tempo passa, o tempo voa ... e lá se vão quase três meses que não apareço por aqui. Se eu tivesse leitores fiéis, já os teria perdido. Não foi exatamente por falta de tempo o meu sumiço. Foi, sim, por pura e simples preguiça e uma certa dificuldade em cumprir o ritual de sentar para escrever algo tão pessoal que pudesse disponibilizar na rede.

    Os primeiros meses de 2009 começaram bem parados, sem muita graça e sem novidades. Passei janeiro e fevereiro vivendo de conversas no MSN. Em março, tive a resposta (positiva) de uma proposta de emprego. Há duas semanas estou como gerente de patrimônio histórico do município. Não é um trabalho dos mais fáceis, mas estou gostando.

    Fora isso, há apenas a tristeza por não poder ir ao Festival de Curitiba pelo terceiro ano consecutivo.  Eu já tinha elaborado uma pré-lista do que queria ver. Em função do novo trabalho, não poderei me ausentar da cidade por algum tempo. O mais chato é que eu já tinha me empolgado, pois estava convencida de que o trabalho não iria dar certo (foram dois meses de espera pela resposta). Tenho amigos que só encontro nessas ocasiões, galera gente fina de quem sinto saudade. Deixo o recado: Miguel, Leca e demais bacantes, Astier, Magela e Rodolfo, tô com saudades!!!!

    Apesar das críticas, eu gosto muito do Festival de Curitiba. Todo ano, são quase 300 peças para assistir em diversos horários. Gente do Brasil todo e, com sorte, gratas surpresas. Meu amor pelo teatro é imenso e taí uma das dificuldades em levar uma vida de adulto, com trabalho diário e horário a cumprir: não posso viajar para ver peças e acompanhar festivais.

    Estava querendo muito ir a São Paulo para ver “Avenida Dropsie”, da Sutil Companhia de Teatro, grupo curitibano que comemora seus 15 anos com uma mostra de repertório que vai até o comecinho de abril. Se der certo, ainda pego um final de semana e vou pra lá. Tem outras coisas que poderia ver, mas não sei o que ainda está em cartaz (sou louca pra ver “Assombrações do Recife Velho”, da companhia Os fofos encenam).

    Tenho planos de ir a SP nos dias 2 e 3 de maio, quando ocorre a Virada Cultural. Fui no ano passado e valeu a pena. Vamos ver.

     



    Escrito por Rachel Coelho às 23h59
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    2008-2009.

    2008.

    Ano de trabalho, de carteira assinada pela primeira vez, de demissão pela primeira vez também. Ano de viagens e descobertas. De paixões e novos amigos. De novos começos.

    Conheci muitos lugares que marcaram a minha vida. O Carnaval em Minas Gerais, seguido da primeira viagem como mochileira, me mostrou um mundo a ser descoberto e me trouxe a consciência de que isso é possível sem gastar rios de dinheiro. Uma viagem de três meses pelo Nordeste também foi importante: pode dizer muito de nós mesmos, daquilo que somos e daquilo que podemos ser. E a mim disse. O teatro também se fez presente em minha vida, com cem espetáculos assistidos em Maringá e em eventos como o Festival de Curitiba, Festival Internacional de Londrina, Festival Nordestino de Teatro em Guaramiranga (CE), Festival Internacional de Artes Cênicas em Salvador e Mostra Sesc Cariri de Cultura, no Crato (CE). Um novo amor, cheio de promessas para o futuro, fechou com chave de ouro o ano par.

    2009...

    Muita saúde no corpo e na alma são fundamentais para que o ano seja bom. Por isso, é a primeira coisa que peço ao Deus em que acredito, não só para mim, mas também para meus familiares e amigos queridos.

    Que a comida, diversão e arte que nos alimenta ao longo dos 365 dias do ano não nos falte nunca. Para isso, espero que não me falte trabalho, daqueles que dão dinheiro, mas também muito prazer em ser realizado.

    Que meu primeiro projeto cultural, escrito em 2008 e ainda concorrendo em editais, seja aprovado e aconteça em Maringá, estreando minha carreira como produtora cultural que, se tiver de ser, seguirá de vento em popa.

    Que eu consiga realizar todos os objetivos que traçar para mim, mesmo que sejam toscos e insignificantes, como emagrecer, comprar uma bicicleta, conseguir usar fio dental todos os dias, fazer uma tatuagem.

    Que eu consiga sair de casa e sobreviva à minha incapacidade de ser dona de casa, sem saber cozinhar e tendo preguiça de fazer serviços domésticos.

    Que eu aprenda a amar, sem ter ciúme e sem querer possuir a pessoa amada. Que eu continue livre, sem criar dependência e sem sofrer desnecessariamente. Que o amor dê certo.

    E que venham as novidades!



    Escrito por Rachel Coelho às 20h58
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    Ho ho ho! Feliz Natal!

    Gosto dessa época do ano, das lojas decoradas, dos enfeites nos postes e das luzes coloridas nas ruas. A agitação, o espírito natalino, a expectativa para encontrar alguém que só se vê no natal, a possibilidade de ganhar aquele presente que tanto se deseja. Na minha família, aprendemos desde cedo a cultivar a tradição do Natal. O mais engraçado é que não somos católicos, mas a data continua tendo um significado especial.

    A família (por parte de mãe) se reúne para saborear pratos gostosos, trocar presentes e se divertir. De uns tempos para cá começamos a realizar o amigo secreto, para que todos ganhassem presentes. A família começou a aumentar e fica difícil que todos presenteiem todos. Normalmente, só as crianças ganham presentes dos mais velhos, o que não ocorreu neste ano.

    Família é uma coisa engraçada. A minha, pelo menos, é. Tem aquele tio que enche a cara e faz todo mundo dar risada. Tem aquele primo que enche a cara e começa a chorar dizendo que ama todo mundo. Tem aquela tia que come até passar mal. Tem aquele que ninguém conhece, que veio acompanhando um primo por que não tinha outro lugar pra ir ou porque vai rolar uma balada depois. Tem os casais que resolvem discutir a relação no meio da festa. E tem criança correndo pela casa.

    Alegria é coisa bonita de ver. Faz a gente se sentir bem com a família que tem, a mesma  que passa por tantos problemas durante o ano, que deve até as calças, mas que no natal se empolga e sai gastando, por que não resiste aos apelos da propaganda e ao ritual de presentear a quem se gosta.

    Acreditar em Papai Noel é uma das cosias mais mágicas da infância. Eu acreditei e todo ano ficava tentando surpreender o velhinho na hora da entrega dos presentes, assim como tentava flagrar o coelhinho da páscoa botando seu ovo no ninho que fazíamos especialmente para isso. Agradeço a minha mãe por ter alimentado a minha fantasia, o que pretendo continuar fazendo, caso tenha filhos e netos.



    Escrito por Rachel Coelho às 18h53
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    Lembranças.

    No ano passado, meu ex-editor em O Diário, Marcelo Bulgareli, recebeu o convite para uma viagem a São Paulo. Por suas obrigações como editor, não pôde ir e acabou repassando para mim. Na época, eu era frila - daquelas que trabalham quase de graça, ou de graça mesmo. Ele viu nessa viagem uma forma de me recompensar pelo trabalho feito em festivais de teatro, de onde eu mandava matérias sem receber um tostão (apenas por que precisava ter um veículo para representar e dar uma contrapartida para as cortesias recebidas).

    Ivan Amorim, o editor de imagens, escolheu o fotógrafo Henri Junior para me acompanhar. Imagino que tenha sido porque Jr. era alto e forte, o que espantaria ladrões menos corajosos e desarmados. Sempre existe esse receio quando se vai para cidades como São Paulo e Rio de Janeiro: as pessoas se preparam para imprevistos - sobretudo quando se sabe que haverá, em mãos, algo de valor como o equipamento fotográfico do jornal.

    Junior e eu não tínhamos muito contato. Não saíamos diariamente para fazer reportagens juntos. Algumas conhecidas já haviam comentado que ele era galanteador, sedutor e quem provou, recomendava. Lembro que a Dayse Hess, ao saber que iríamos juntos, brincou pedindo para que eu tomasse cuidado. "E se rolar alguma coisa, conta pra gente", disse, em tom sempre alegre.

    Não rolou. Viajamos com tudo pago, de ônibus leito. Conversamos pouco, apenas para quebrar o gelo e criar alguma intimidade. Ele me mostrou a foto de sua filha, que amava profundamente. Lá chegando, não encontramos o motorista que teria ido nos buscar. Pegamos um táxi até o hotel em que ficaríamos e cada um foi para seu quarto. Antes, ficamos constrangidos por não saber para que servia aquele cartão magnético que nos entregaram na recepção. Nem eu nem ele costumávamos ficar hospedados em hotéis de luxo. O cartão era para abrir a porta. Junior fez piada da ignorância e eu me senti menos envergonhada com a simplicidade dele.

    Ficamos dois ou três dias, não lembro ao certo. Junior fez lindas fotos e tudo correu como o previsto. Um momento marcante foi quando visitamos o Hopi Hari. Vi uma cena que não imaginava ver um dia: o rapaz de 1,90m (tô chutando) sofrendo de medo em um brinquedo. Ele fechou os olhos e só esperava que aquilo acabasse. Eu ri de seu desespero. Depois, foi ele quem riu de mim enquanto eu xingava aquela montanha russa de madeira que quase me infartou. 

    Quando voltamos da viagem, fui com ele até onde tinha deixado seu carro e ele me deu uma carona até em casa. Depois disso, saímos outras vezes para as reportagens chatas do tablóide de O Diário na Escola e nos encontramos em alguns churrascos de confraternização. Ele adorava uma balada. 

    Em novembro, depois de passar alguns meses lutando contra um câncer, Junior faleceu. Sei pouco sobre ele, não éramos amigos próximos, sequer acompanhei sua luta contra a doença. Não sei detalhes. O que sei é que é difícil entender os mistérios da vida e da morte. Como se conformar com a morte de um rapaz jovem, bonito, cheio de amigos e de alegria? Não sei.

    **

    Este ano, também perdi um colega que morava em Curitiba, Adriano. Enquanto ele morou com o Well, sempre que eu ia em Curitiba ficava no quarto dele. Adriano era intenso, adorava uma balada e parava pouco em casa. Em nosso último encontro, consolamos as lágrimas um do outro. Lágrimas de saudade antecipada: estávamos nos despedindo de Well, grande amigo que tinha ido fazer seu mestrado em Portugal.

    Ultimamente, tenho sentido muitas saudades do amigo de faculdade André Moreira. Fizemos o curso de jornalismo juntos, nos salvamos muitas vezes. Sentávamos perto, fazíamos todos os trabalhos juntos e ele me confidenciava suas aventuras, seus planos e objetivos. Três meses após se casar, suicidou-se enquanto fazia um curso em Curitiba. Estava prestes a ser contratado como fotógrafo pela Gazeta do Povo. Eu havia falado com ele pessoalmente uma semana antes, tinha trocado emails naquela semana. Triste demais. Ele me faz falta. Era um grande companheiro. Triste.

    * Mas, por mais que pareça, não estou deprimida. Só estou sentindo saudades.



    Escrito por Rachel Coelho às 15h10
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    - Uma semana depois de chegar de viagem, fui com minha mãe até Curitiba para a formatura do meu sobrinho Matheus. Foi muito bom revê-lo, eu estava com saudades. Aproveitei e fui com mamis pra ver uma apresentação do coral de crianças no Palácio Avenida, que este ano teve a participação do ator Fúlvio Stefanini. Ela nunca tinha visto e adorou. Eu também gostei. Sempre me emociono, por que me coloco no lugar daquelas crianças. Deve ser muito bom participar de algo assim.

    - Minha mãe voltou de Curitiba com pneumonia. Está internada. O curioso é que ela se sentiu mal lá, procurou um hospital (particular), mas a médica que a atendeu não diagnosticou a doença. Foi aqui - no interior - que ela pôde receber o tratamento adequado. Que loucura. Eu, que tenho pai, irmão, cunhada e sobrinhos por lá, fiquei preocupada com meus familiares que dependem desse tipo de atendimento hospitalar.

    - Hoje começou a minissérie global "Capitu", com direção do Luiz Fernando Carvalho. Fiquei tanto tempo sem ver televisão que só fiquei sabendo desse programa na semana passada. Evito me apegar a isso porque a gente acaba criando uma relação de dependência mesmo com a TV. Essas coisas boas normalmente passam muito tarde e tal, mas quando vi que teria o Michel Melamed no elenco, quis ver.

    - O Melamed foi um amor platônico que descobri no tempo que morei no Rio de Janeiro. Ele tinha um programa na Tv Educativa chamado Recorte Cultural, que eu adorava e acabei influenciando muitas pessoas a assistirem também. Depois fui vê-lo no teatro, com as peças "Dinheiro grátis" e "Homemúsica". Na primeira, tomei coragem para falar com ele e o achei um pouco antipático, além de ver que ele tinha uma namorada com cara de modelo. Depois que voltei, parei de vê-lo e meu amor adormeceu.

    - Voltando à minissérie: eu gosto do trabalho do L.F.Carvalho. Acho que não vou me decepcionar com este. Também curto muito o Tim Rescala na parte musical, embora eu ache que a música tema dos protagonistas não tenha se encaixado bem. Acho que os atores estão convincentes, numa expressão bem teatral que parece caracterizar os trabalhos de Carvalho. Outra coisa louvável é não ter aquele monte de rosto desgastado, que já estamos de saco cheio de ver o dia inteiro na Tv. Muitos rostos novos. Para os padrões de qualidade dos programas da televisão brasileira, é um trabalho maravilhoso.

    - Escrevi uma frase no orkut: "Vou ver "Capitu" e matar a saudade do M. Melamed!!". Dois amigos jornalistas vieram me fazer inveja dizendo que o entrevistaram pros jornais em que trabalham. Tudo bem, eu já superei isso.. rs! Mas sou uma mulher de amores platônicos.

     



    Escrito por Rachel Coelho às 03h00
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    Agradecimentos

    Para que essa minha grande e deliciosa viagem tenha sido possível, precisei do apoio de vários amigos, que me receberam em suas casas, me pagaram almoço, me mostraram suas cidades, me deram dicas e muito mais que isso. Preciso fazer alguns agradecimentos merecidos e desejar a essas pessoas que tudo que fizeram por mim volte em dobro para elas. Claro que espero um dia (não muito longe) poder retribuir todo esse carinho aos meus amigos:

    João Luiz e família;

    Magela Lima;

    Thiago Arrais;

    Sônia Lage;

    Daniel Rabelo e família;

    Astier Basílio;

    Alex Hermes e mãe (esse é pelos dois dias que me abrigou, antes de me expulsar);

    Ramon Saraiva e sua família, que agora é minha também;

    Adeildo Vieira;

    Zéh Leão;

    Grazy e família;

    Ívina e família;

    Dr. Raiz;

     

    * Constatações de viagem:

     É sempre muito bom voltar pra casa. Dessa vez, me deu um certo alívio quando percebi, de longe, as luzes de Maringá. No fundo, eu amo essa cidade. Acho que posso andar, andar e andar por aí, mas sempre vou querer voltar pra casa. Foi aqui que eu nasci e cresci. É o lugar em que me sinto em casa e ultimamente tenho sido otimista, acreditando no futuro e nas possibilidades desse lugarzinho ainda tão cheio de problemas.

     Também sou apaixonada pelo meu País. Quanto lugar bonito que existe por aqui ... ainda demora até eu ter vontade de gastar dinheiro viajando por outros países, sabendo que ainda falta tanto para conhecer por terras verde-amarelas. Meu sonho é conhecer tudo, tudo mesmo. Viva o Brasil!



    Escrito por Rachel Coelho às 02h45
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    O último perrengue.

    A volta para casa também foi um transtorno. Peguei o vôo na quarta-feira, às 14h20 em Fortaleza. Parou em Recife e fez nova conexão em Salvador, onde eu desci. Peguei outro avião e cheguei no aeroporto de Guarulhos às 22h25. Não tinha mais ônibus pra rodoviária e nem vaga no hotel em que eu queria ficar, na Praça da República. Resultado: “dormi” no aeroporto.

    Fica aqui o meu protesto: além de não ter chuveiro, o preço das coisas é exorbitante. Os caras deviam ter vergonha de cobrar preços assim. Hoje em dia as passagens de avião estão mais acessíveis e tem muito pobre como eu viajando. Não temos condição de comer em aeroportos e paradas como o Graal. Eu estava morrendo de fome e fui obrigada a tomar leite puro com um lanche (e ainda gastei mais de R$ 10). Aff...

    Às 5h45 peguei o ônibus pra rodoviária da Barra Funda. Chegando lá, descobri que o primeiro ônibus para Maringá saía às 10h30 pela Viação Garcia. Toca eu esperar mais algumas horas. E só fui chegar em casa às 21h, podre de cansada – para me deparar com um quarto super bagunçado.

    **
    E de como as coisas mudam enquanto estamos fora:

    - Saí de casa no dia 7 de setembro e minha sobrinha Julia nasceu no dia 8. Fui conhecê-la um dia depois de voltar de viagem, com quase três meses de nascida.
    - Meu tio Sebastião quebrou os dois braços enquanto fazia uma trilha. O que ele estava fazendo no meio do mato é que eu não sei.
    - Meu primo Vinicius (filho do Sebastião) foi embora para os Estados Unidos sem data para voltar.
    - Um ex-colega de trabalho - o querido Henri Jr., fotógrafo de O Diário - faleceu no mês de novembro, depois de passar meses lutando contra um câncer.


    Escrito por Rachel Coelho às 00h27
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    Só deixo o meu Cariri, no último pau-de-arara

    De Salvador, voltei ao Ceará. Não tinha passagem direto para Juazeiro do Norte, então comprei para descer em Brejo Santo. O problema é que, nessas andanças pelo Nordeste, eu descobri que lá os motoristas de ônibus nunca avisam das paradas. Eu nunca sabia se eram paradas para embarque e desembarque ou para lanche. Resultado: passei reto por Brejo Santo. Acabei descendo em Milagres, onde peguei uma van (a “topic”) para a rodoviária de Juazeiro. Lá, peguei um táxi até a casa de Ramon.

    De setembro para novembro o clima já tinha mudado um pouco. Estava bem mais quente em Juazeiro e eu comecei a ficar mal humorada. Tive problemas para dormir e para comer e temi pelo meu relacionamento com o pessoal de lá, que sempre me tratou tão bem. Felizmente, não rolou nenhum atrito.

    * Trampo

    Um dia antes de começar a Mostra Cariri (no Crato), fui à inauguração do Teatro Patativa do Assaré, no Sesc de Juazeiro. Reencontrei alguns conhecidos, como a Ivina (funcionária do Sesc Fortaleza que conheci em Guaramiranga). Ela me apresentou a Keli Magri, jornalista que estava coordenando o informativo Flor de Piqui, produzido durante a Mostra. Como eles estavam precisando, passei a integrar a equipe, já com atribuições para a manhã seguinte.

    Na solenidade de inauguração, revi o amigo Dinho Lima Flor, que conheci no Filo 2007, quando ele apresentou o espetáculo “O homem provisório”. Em Juazeiro ele apresentou um espetáculo lindo chamado “Cante lá que eu canto cá”. Não nos falamos nesse dia, só depois, mas foi bacana revê-lo.

    Durante a Mostra Cariri, entrevistei personagens da cultura local como o mestre Antonio (do Reisado dos Irmãos), o cantor João do Crato, o escritor José Flávio Vieira e outros. Entrevistei também, por telefone, o Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), que falou comigo enquanto transitava pelo aeroporto de Recife para pegar o vôo que o levaria até Juazeiro.

    A Mostra completou dez anos e é um evento grande, com muitos espetáculos em vários horários do dia. Rolaram alguns “probleminhas”, como atrasos de até 45 minutos, cancelamento de peças, troca de teatro em cima da hora, etc. Nada disso, porém, estragou a minha imagem daquela festa.

    Não consegui hospedagem pelo festival, passei duas noites na casa de uma senhora que é parente da gerente de cultura do Sesc e acho que nunca andei tanto de mototáxi na minha vida. Gostei mais do Crato do que de Juazeiro. Apesar de ser apenas dez quilômetros de diferença, o Crato é mais fresco. A cidade é mais próxima da Chapada do Araripe e também é mais arborizada. Entre as duas rola até uma certa rivalidade, que eu acabei alimentando com comentários como esse.

    Depois da Mostra, voltei para Fortaleza. Eu acabei mudando meu plano inicial de curtir o festival de Recife. Optei por ir logo embora. De repente me bateu uma saudade forte, uma necessidade urgente de estar em casa. Fiquei até preocupada achando que algo fosse acontecer. Passei uns dias em Fortaleza na casa da Ivina, curtindo a extensão da Mostra Cariri. Vi mais alguns espetáculos e o show do Dr. Raiz no jardim do Theatro José de Alencar. Foi massa!

    PS: O último dia do Dr. Raiz em Fortaleza também merece registro. Eles perderam o ônibus das 13h30, para o qual tinham passagem, e só conseguiram trocar para as 21h. Fiquei com eles durante todo esse tempo. Eles guardaram os instrumentos em um quiosque na rodoviária, foram até o supermercado Pão de Açúcar e compraram um isopor, gelo e cervejas. Passamos a tarde dando risada, sentados ao lado do supermercado. Foi divertido.

    PS2: Outra coisa que me impressionou durante a Mostra foi a relação do público com as músicas que falam do sertão. Eles conhecem e demonstram isso assim que se entoa o primeiro acorde. Lindo de se ver.


    Escrito por Rachel Coelho às 00h21
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    Sorria, você está na Bahia!

    Salvador me deixou encantada. Saí de lá com a certeza de que um dia irei de mala e cuia para a capital baiana. Eu já tinha ido em 2002 numa excursão com o pessoal do Cesumar (fomos participar do Intercom). Na ocasião, eu fiquei num hotel beira-mar numa praia que não é das mais agitadas (Armação). Visitei poucas coisas, todas dentro do circuito turístico tradicional: Pelourinho e Farol da Barra, por exemplo.

    No ano passado, na volta de Canudos, meu vôo saiu de Salvador e eu passei o dia andando por lá até dar o horário de ir para o aeroporto. Conheci a igreja do Senhor do Bonfim, andei por Humaitá e fui até o Dique do Tororó, além de adentrar mais o Pelourinho, que é enorme.

    Desta vez, no entanto, me senti praticamente uma baiana. Andei sozinha por muitos lugares onde ainda não tinha passado, usando exclusivamente o transporte público. Aí sim, pegando ônibus, enfrentando engarrafamento, vivendo o dia-a-dia da cidade, é que podemos dizer que a conhecemos. Achei demais.

    Fora isso, estava curtindo a primeira edição de um festival internacional de artes cênicas. Vi altas peças bacanas, algumas que já tinha visto antes, e conheci uma galera legal. Fiz uma oficina de crítica teatral com o Kil Abreu, curador do Festival de Recife e que escreve com freqüência para a revista Bravo. Também curti.

    Fiquei na casa do Daniel, que conheci em Guaramiranga e é um baiano dos mais lindos. Seus pais e seu irmão me acolheram com todo o carinho e fizeram questão de fazer alguns pratos típicos, como a quiabada e o cuscuz, para eu experimentar. Também dormi na rede que ficava na varanda e, apesar dos mosquitos, dormi bem demais. Quem sabe um dia eu não me mudo para Salvador???

    PS: Em Salvador aconteceram umas coisas engraçadas. Ganhei presentes e favores de gente que não conhecia. Um menino que vende artesanato no Pelô me deu um colar, outro foi meu guia sem cobrar e uma senhora no ônibus comprou dois pacotes de amendoim e me deu um (num momento em que eu estava morrendo de fome).


    Escrito por Rachel Coelho às 00h16
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    Mudou alguma coisa??

    Quase um ano depois da passagem do bando do Oficina por Canudos, eu me perguntava o que teria mudado na cidade. O que vi de diferente foi pouco. Nem mesmo a igreja que estava sendo construída ficou pronta. Alguns comércios novos se instalaram, outros fecharam. O "Respilanbar" - restaurante pizzaria lanchonete e bar - onde Zé Celso comeu uma pizza e bebeu na última noite, mudou de nome. Passou a ser "Os Sertões", bar e restaurante. As plantações de saco plástico continuam lá, dando frutos. Parece que tem mais esgoto a céu aberto do que antes. As lan houses estão R$ 0,50 mais caras.

    Um rapaz que conheci - que orgulhosamente disse ter sido segurança de Mariana Ximenes, Maria Padilha e Eduardo Suplicy na época - acredita que o secretário de cultura na época, o Valdir, se esforçou mais para fazer alguma coisa. Mas o esforço foi temporário, pois ele se afastou para tentar se eleger vereador. Não conseguiu. Em abril deste ano ocorreu o Cine Fest Canudos, festival de cinema com longas e curtas que movimentou a cidade e promete continuidade. O problema é que tanto o festival quanto o teatro foram iniciativas que vieram de fora para dentro, sem muito esforço da cidade de Canudos, que continua sem estrutura para receber turistas.

    Em Quixeramobim, o Teatro Oficina deixou como marca de sua passagem um muro pintado e um curso de artes cênicas que está sendo estruturado. Em Canudos, deixou uma ou outra camiseta com o símbolo da bigorna. Uma bigorna leve que, mesmo caindo na cabeça dos canudenses, não conseguiu transformá-los.

    ***

    De Canudos, parti para Salvador rumo à primeira edição do Festival Internacional de Artes Cênicas, o Fiac. A programação está bem legal (www.fiacbahia.com.br). Cheguei antes das 5h da manhã, esperei o sol sair por completo e fui achar um lugar para ficar. Fiquei no Hotel Pirâmide, perto da rodoviária, com direito a cama redonda, espelho, canal pornô com o mesmo grin+go pegando a mulherada por trás e gemidos de mulheres ao fim da tarde. Fiquei só um dia, pagando R$ 35. Saiu caro. Ontem achei no Pelourinho um albergue com quarto coletivo no melhor estilo bicho-grilo por R$ 12. Agora estou na casa do meu amigo Daniel Rabelo.



    Escrito por Rachel Coelho às 12h56
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    "Estou, estou em Canudos..."

    Na primeira noite de sono em Canudos eu passei frio. Lá é quase um deserto: calor infernal durante o dia e vento fresco de noite. Acordei tirando sarro, perguntando onde estava o calor baiano. Pra quê. Fui obrigada a aguentar gozação do pessoal de lá, já que logo no primeiro dia já fiquei toda vermelha com o sol. Se em novembro do ano passado eu fiquei cheia de marcas usando protetor solar todos os dias, imaginem sem proteção. Na feira de sábado, comprei um chapéu de palha para andar por aí protegendo os ombros, a área que mais queima.

    Na sexta-feira de manhã vi o desfile comemorativo que pretendia contar a história da cidade. Muitos jovens estudantes formaram 21 pelotões, lembrando romeiros, soldados federalistas e conselheiristas, plantas, Antonio Conselheiro e mais. Foi bonito de se ver. Me inspirei para escrever um texto e tentar publicá-lo em algum lugar, mas fui buscar informações com os responsáveis, marcamos um encontro num evento e eles não foram. Deixei quieto.

    Aos poucos, iam chegando os ônibus com romeiros vindos de diversos lugares da Bahia. Eles ficaram hospedados em escolas e no Centro Comunitário. Ouvi dizer que foi um ano fraco, de poucas visitas. No domingo, rolou uma missa às 6h. Apesar de não ser católica, fiz questão de ir. A minha decepção começou ali. Vi muita, muita gente jogando conversa fora, sem prestar atenção no que os vários padres falavam durante a ocasião. Tinha até pastor protestante e o bispo de Paulo Afonso participando. Este último falou coisas muito legais, que resolvi anotar para postar aqui. 

    "Sejam protagonistas de suas próprias vidas. Antonio Conselheiro é um exemplo disso para os jovens, pois quis ser o protagonista de sua história. Ele não esperou circunstâncias particulares para viver bem. Façam bom uso de sua inteligência. Não vamos esperar as circunstâncias, vamos chamá-las e renovar o mundo. Somos um povo escolhido", disse o bispo. Os mais velhos parecem reverenciar a sua história, aquilo que motivou as três tentativas de construção de Canudos. No entanto, os mais jovens não estão sendo suficientemente formados para fazerem jus a isso. São alienados.

    Para eles, a romaria é uma oportunidade de sair do tédio de suas vidas, já que a cidade recebe muita gente, inclusive jovens estudantes. No caminho ao Parque Estadual de Canudos, fui num ônibus cheio de canudenses e o que vi me desanimou. Brincadeiras, cantorias de músicas bregas, provocação. A romaria, ali, não tinha sentido. Sei lá. Eu nunca fui a uma romaria, mas acho que não é bem aquilo. Fiquei curiosa para viver outra experiência, em outro local. Ainda farei isso, por mais que eu me irrite com o discurso e as musiquinhas católicas.

    Tentei me concentrar durante o percurso. Achei, sinceramente, que os "fiéis" deveriam ir a pé até o parque. Aí só iria quem realmente tivesse fé e disposição. Os malucos não vão a pé de SP até Aparecida do Norte?? Então...

    No Parque Estadual de Canudos, andei com os romeiros, mas optei por ficar sozinha. O sol era de rachar. Fui andando na frente e às vezes saía da rota para ver alguns marcos históricos. Para mim, é um lugar de energia muito forte. Ali ocorreram guerras sangrentas e 25 mil pessoas morreram, as quais estão debaixo das águas do Cocorobó. Foi um passeio legal, do qual saí totalmente descrente com relação ao futuro da cidade. Na entrada do parque, uma placa: "Essa história não pode morrer". Para mim, parece que já morreu.

    PS: O título do post é por causa de uma música muito cantada durante a romaria e a missa. Também tem uma que fala do choro de Raquel, que parece ser o nome da única sobrevivente de Canudos. Quis comprar um CD do Fábio Paes, que canta essas músicas, mas achei caro R$ 15 (para o meu bolso).



    Escrito por Rachel Coelho às 12h48
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    No meio do mundo.

    Saindo de Cabaceiras na sexta, peguei uma moto até a cidade de Boa Vista. De lá, como havia perdido o ônibus por pouco, peguei uma carona até a praça do meio do mundo. Esse é mais um lugar que eu tinha cismado de conhecer e fiz o possível para isso. Foi aí que eu tive uma revelação: descobri que sou a pessoa mais maluca que eu conheço.
     
    Pense num calor infernal, horário não recomendado a pessoas tão brancas quanto eu, muito menos a uma moça indefesa perdida numa praça cuja maior atração é uma estátua decapitada. Tudo isso pq eu tinha a curiosidade de conhecer esse local inusitado que já vi em dois filmes ("Caminho das Nuvens" e "A pessoa é para o que nasce"). Valeu pela experiência, mas aí me recomendaram que não ficasse por lá esperando o ônibus que me levaria de volta a Campina.
     
    Fui andando até o posto policial. Lá, o PM me disse que andei cerca de 1km e meio pela BR-230 (onde fica a praça). Conversando, ele me contou que tem parentes em Cascavel. Nessas andanças, já encontrei várias pessoas com parentes por lá ou por outros lugares do PR. Peguei uma van para Campina, mas me irritou porque o motorista deixava as pessoas na porta de casa, o que fez com que a viagem fosse longa. Eu estava sem café e sem almoço, só com uma bolachinha. De Campina pra João Pessoa, mais um alternativo. Pelo menos o motorista andava rapidinho e me deixou na porta de casa. Eu ia ao teatro, mas não deu tempo.
     
    **
     
    No último final de semana em João Pessoa, vi o Palhaço Xuxu (do Luiz Carlos Vasconcelos) na Estação Ciência e Cultura e, em seguida, "Quebra-quilos", do Coletivo de Teatro Alfenim (que é também o nome de um doce bem doce feito com rapadura), que se apresentou no Espaço do grupo Piollin. Adorei o espaço e a peça, a qual assisti com meu amigo Astier e devo ver de novo na Mostra Cariri. Como pano de fundo, a curiosa revolta contra a implantação do sistema métrico decimal, em 1874.
     
    Depois de conversar pelo msn com a Grazy, minha irmã adotiva em Canudos, decidi voltar para a cidade em que vivi a grande e transformadora experiência d'Os Sertões. Nos dias 17, 18 e 19 ocorreria a 21ª Romaria e eu queria ir, embora não tivesse idéia de como chegar. Pesquisei ônibus para Salvador, mas só havia um horário por dia, às 19h30. Acabei perdendo o ônibus de terça. Na quarta-feira cedo peguei um táxi até Recife (R$ 20, trajeto de duas horas). Lá, encontrei um amigo que só conhecia pela internet, o Zé Leão. Ele me levou para conhecer um pouco de Recife, passando por Boa Viagem e Recife Antigo. Isso depois de pesquisarmos uma forma de ir a Canudos. Optei por comprar passagem para Feira de Santana, que só tinha ônibus às 20h45.
     
    Depois de jantarmos num shopping, voltei para a rodoviária para o embarque. Antes disso, fiz questão de pesar minha mala. Carrego nos ombros nada mais nada menos que 15km (quando pesei no aeroporto de Guarulhos pesava pouco mais de 9kg. Na volta, deve estar ainda mais pesada, pois deixei várias coisas em João Pessoa). Em Feira cheguei 11h30 e o ônibus para Canudos era às 14h. Resultado: passei praticamente o dia todo em trânsito. Cheguei em Canudos quase 20h e fui recebida por uma lua cheia lindíssima.
     


    Escrito por Rachel Coelho às 12h25
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    Fui pra Roliúde...

    Numa bela quinta-feira decidi conhecer a pequena cidade de Cabaceiras, a 194km de João Pessoa. O passeio não foi por acaso. Isso já estava nos meus planos. Eu tinha lido alguma coisa a respeito, além de ter um amigo que já foi pra lá e me recomendou. Adeildo ia passar o dia ocupado, eu estava com a sensação de já ter conhecido João Pessoa, então me informei sobre como ir pra lá.
     
    Logo cedo, peguei um "transporte alternativo" (táxi) para Campina Grande, a cidade que se auto-intitula dona do maior são joão do mundo. Na rodoviária de Campina, descobri que ia amargar duas horas de espera pelo ônibus e que, em Cabaceiras, só teria uma hora para ficar, se quisesse voltar no mesmo dia. Caso contrário, teria que pernoitar em Cabaceiras, já que só teria ônibus no dia seguinte (o último sai de lá 14h30). Decidi ir assim mesmo.
     
    Em Campina não conheci nada, só fui ao Shopping Iguatemi e comprei um chips e um H2O para esperar o tempo passar. O cobrador do ônibus para Cabaceiras foi com a minha cara, apesar de me chamar de maluca. Aliás, o que eu mais encontro em meu caminho é gente que me chama de maluca. Estou quase me convencendo disso. O cobrador ficou querendo saber sobre as minhas aventuras de viajante. Ele mora em Boqueirão, cidade onde descemos para trocar de ônibus.
     
    Chegamos em Cabaceiras lá pelas 13h. Logo na entrada está o letreiro que gerou polêmica e fez com que a cidade ficasse conhecida: Roliúde Nordestina. A idéia do apelido partiu do jornalista Wils Leal, um grande marqueteiro que quis incrementar o turismo na região. Tudo isso porque 23 filmes, entre longas e curtas, já foram total ou parcialmente filmados na região. O mais famoso deles é "O Auto da Compadecida". O letreiro foi inaugurado em 5 de maio de 2007. Tem cinco metros de altura e 80cm de comprimento. O motivo de tantas filmagens seria a luminosidade do local e o menor índice pluviométrico do Brasil. O mais bizarro é que quando chove, chove para inundar. As marcas da última enchente, que ocorreu este ano, ainda estão por lá.
     
    Encontrei um rapaz chamado Uirakitan que me acompanhou o tempo todo, até enjoar. Ele disse ser guia de turismo e ficou me mostrando coisas que eu já estava vendo. Não me acrescentou grandes informações, mas foi simpático e possibilitou que eu saísse nas fotos. Uma das dificuldades de viajar sozinho é que nem sempre conseguimos provar em imagens que realmente estivemos naquele lugar (para isso, tínhamos que sair na foto).
     
    O passeio por Cabaceiras, até agora, foi um dos grandes momentos da viagem. Acho que andei por toda a cidade, que tem pouco mais de cinco mil habitantes. Conheci o Museu Histórico e o Memorial Cinematográfico, que tem reportagens sobre as filmagens feitas por lá, onde se inclui "Cinema, aspirinas e urubus", "Viva São João", o mais recente, "Romance" e até "Madame Satã".  Tomei até  "xixi de cabrita". Sem sustos ... trata-se apenas de uma bebida com cachaça, leite de cabra, limão e baunilha. Muito boa, por sinal. A garrafa é vendida por R$ 15 no Museu. 
     
    A parte mágica da visita foi a ida ao Lajedo do Pai Matheus, uma formação rochosa maravilhosa que também já serviu de cenário para produções. O motoqueiro que me levou, Sérgio, contou um pouco de sua experiência durante "O auto da compadecida" que, segundo ele, mexeu muito com a cidade. Chicó e João Grilo viviam no boteco com a gente comum tomando cachaça depois das filmagens. "E como bebem", disse o Sérgio.
     
    Segundo ele, os atores iriam ficar hospedados numa fazendo há 5km da cidade, mas logo perceberam que isso não era necessário. A cidade não assedia os artistas, pelo menos não mais do que eles conseguem suportar. Muitos moradores são aproveitados para trabalhar na produção e até figuração dos filmes. Um deles, talvez um dos mais famosos e deslumbrados com o mundo da sétima arte, é o Sr. Zé de Cila, que tem uma loja de artesanato e sebo cultural, onde ostenta fotos que provam sua atuação como dublê de Rogério Cardoso, o padre do filme.

    Zé de Cila cismou que eu estava fazendo algum documentário e precisava falar com ele. Contou que um povo lá do Paraná falou com ele há pouco tempo, mas nunca mais deu notícias. Aliás, pouca coisa fica de toda a transformação que a cidade passa a cada nova película. Muitas sequer são exibidas para aquela população, que não tem cinema. Às vezes, nem sabem se o filme ficou pronto ou não. Um erro.
     
    Dormi na pousada da dona Kika pelo preço de R$ 10. O quarto era de R$ 15, mas ela me deu um desconto pq eu tinha topado ficar no mais barato alegando falta de grana. Acho que ela ficou com dó e com vergonha, pq o mais barato era quase inabitável mesmo.  No jantar, inhame e macaxeira.

    Cabaceiras é a cidade dos bodes. Na cidade ocorre, em junho, a festa do bode rei, com direito a bumba-meu-bode. Para incrementar o turismo, pretende-se criar atrações como a "Calçada da fama", com pegadas dos bodes vencedores do concurso da festa e o "Seja artista por um dia", recriando cenas dos filmes feitos no local, mas usando como artistas o povo comum.



    Escrito por Rachel Coelho às 12h12
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